Depois de uns painéis novos e algumas reparações suplementares (nomeadamente em alguns reforços da carroceria) e eis o vislumbrar do produto de muitas horas de trabalho e suor... Finalmente, as chagas do impiedoso passar do tempo começam a desaparecer!
No entanto... a osteoporose tão típica dos 2CV e praticamente de qualquer clássico não fica por aqui. A natural curiosidade em "verificar" o estado de outras partes da carroceria (portas e capôt) veio a revelar grandes e (des)agradáveis surpresas...
Existem seres e máquinas eternas. O Citroën 2 cavalos é um deles. A história do restauro deste simpático...estado de espírito!
domingo, 24 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Abril 2009 - Operação aos "ossos"
Voltando a Dezembro de 2008, a cirurgia ao Pato azul (é a forma carinhosa que os bicavalistas holandeses e alemães tratam o 2cv) vai incidir no maior problema que um 2cv quase sempre tem: corrosão. A "osteoporose dos clássicos", que em qualquer sítio e a qualquer hora teima em aparecer, não se fez rogada e manifestou-se em grande parte da carroceria (fundos dianteiros, portas, parte inferior da matricula traseira, 3ª janela esquerda) e chassis (com corrosão moderada em praticamente toda a sua exensão mas recuperável e até um buraco na parte inferior). Com muito trabalho e paciência, em especial do meu pai que dedicou mais de 2 meses só na recuperação da carroceria.
Mas uma coisa era certa: a "osteoporose" ia passar a ser uma má lembrança do passado...
Primeiro passo: separação da carroceria do chassis, com a perciosa ajuda do meu pai e do meu irmão.

Um par de horas depois e eis a separação! Agora o chassis vai para fora da oficina, por forma a ter-se espaço para manobrar e trabalhar na carroceria. Ficam assim reunidas todas as condições para a "grande operação". Estavamos no dia 28 de Dezembro do ano da graça de 2008...
3 meses, muitas medidas tiradas, corte de chapa e pontos de soldadura depois, eis que fica como retrata a foto seguinte...
Pormenores do lado do condutor...
...e do lado do pendura.
Antes na cava da roda traseira direita...
...e depois, no mesmo sitio, pouco tempo e algum trabalho depois.
Parte infeiror da traseira da carroceria, por baixo da matricula. Aqui a corrosão, para não variar, também era caso sério, ao ponto de o meu pai ter de soldar uma peça de chapa, por forma a replicar aquilo que o "caruncho do metal" havia "comido"... 25 anos (infelizmente) bem patentes!
O tal "buraquinho" que, após sondagem mais aprofundada, mostrou-se bem maior...
Zona posterior à caixa de velocidades. As alhetas estavam bastante tortas...
Mas, felizmente, nem tudo são más notícias! O que se apresentava com ar bastante duvidoso, algumas horas depois de muito passar a escova de aço no berbequim em alta velocidade, eis um chassis que parece dizer "Estou velho mas não tão mal como pareço! Trata de mim". E eu ouvi e dei seguimento a estas palavras!...
Como, à data dos factos, a minha experiência em operações de bate-chapas era zero, decidi mais uma vez pedir os óptimos préstimos do meu pai nesta área para reparação do "buraquinho" no chassis. Primeiro passo: recortar a chapa corroida e fragilizada em redor do mesmo.
Ooops! Pois é, afinal o "buraquinho" revelou-se ser bem maior do que parecia. O que ontem surpreendia, hoje encaro como "ossos do ofício": um restauro tem sempre destas surpresas.
Reparada a longarina interior, é tempo de fechar e rectificar soldaduras. Menos uma mazela causada pelo "caruncho"...
2 meses passaram, onde todos os orgãos de suspensão, escovados, pintados com Hammerite preta (Nota pessoal: recomendo vivamente esta tinta para partes metálicas que tenham de estar expostas à humidade e/ou ar livre, para além do bom acabamento, dá uma óptima protecção contra a corrosão), duas camadas de Hammerite em todo o chassis e outras tantas de anti-gravilha nas superfícies superior e inferior deste último permitiram que se transfigurasse no que se retrata na imagem a seguir.
E assim passam 6 meses de "bloco operatório" para tratar das mazelas consequentes do peso e passar de 25 anos de bela existência...
Mas uma coisa era certa: a "osteoporose" ia passar a ser uma má lembrança do passado...
Primeiro passo: separação da carroceria do chassis, com a perciosa ajuda do meu pai e do meu irmão.

Um par de horas depois e eis a separação! Agora o chassis vai para fora da oficina, por forma a ter-se espaço para manobrar e trabalhar na carroceria. Ficam assim reunidas todas as condições para a "grande operação". Estavamos no dia 28 de Dezembro do ano da graça de 2008...
3 meses, muitas medidas tiradas, corte de chapa e pontos de soldadura depois, eis que fica como retrata a foto seguinte...
Pormenores do lado do condutor...
...e do lado do pendura.
Consequentemente, também os perfis longitudinais da parte inferior da carroceria necessitavam de intervenção urgente, onde se inclui os apoios para elevação com o macaco. Pormenor do lado do pendura...
Antes na cava da roda traseira direita...
...e depois, no mesmo sitio, pouco tempo e algum trabalho depois.
Parte infeiror da traseira da carroceria, por baixo da matricula. Aqui a corrosão, para não variar, também era caso sério, ao ponto de o meu pai ter de soldar uma peça de chapa, por forma a replicar aquilo que o "caruncho do metal" havia "comido"... 25 anos (infelizmente) bem patentes!
O estado do chassis após separação da carroceria. Havia muitas marcas de salitre, muito provavelmente fruto da sua última residência perto do mar.
O tal "buraquinho" que, após sondagem mais aprofundada, mostrou-se bem maior...
Zona posterior à caixa de velocidades. As alhetas estavam bastante tortas...
Mas, felizmente, nem tudo são más notícias! O que se apresentava com ar bastante duvidoso, algumas horas depois de muito passar a escova de aço no berbequim em alta velocidade, eis um chassis que parece dizer "Estou velho mas não tão mal como pareço! Trata de mim". E eu ouvi e dei seguimento a estas palavras!...
Como, à data dos factos, a minha experiência em operações de bate-chapas era zero, decidi mais uma vez pedir os óptimos préstimos do meu pai nesta área para reparação do "buraquinho" no chassis. Primeiro passo: recortar a chapa corroida e fragilizada em redor do mesmo.
Ooops! Pois é, afinal o "buraquinho" revelou-se ser bem maior do que parecia. O que ontem surpreendia, hoje encaro como "ossos do ofício": um restauro tem sempre destas surpresas.
Reparada a longarina interior, é tempo de fechar e rectificar soldaduras. Menos uma mazela causada pelo "caruncho"...
2 meses passaram, onde todos os orgãos de suspensão, escovados, pintados com Hammerite preta (Nota pessoal: recomendo vivamente esta tinta para partes metálicas que tenham de estar expostas à humidade e/ou ar livre, para além do bom acabamento, dá uma óptima protecção contra a corrosão), duas camadas de Hammerite em todo o chassis e outras tantas de anti-gravilha nas superfícies superior e inferior deste último permitiram que se transfigurasse no que se retrata na imagem a seguir.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Dezembro de 2008 - Mãos à obra!
Com o chegar do Inverno, chega a oportunidade de começar o longo mas gratificante trabalho de restauro. Primeiro passo: com a preciosa ajuda do meu pai e de um reboque, o 2cv muda de casa, passando do terreno onde estava a pernoitar para a nossa casa, onde estariam todos os meios necessários para a recuperação.
Passo nº1: limpeza do interior, com vários pertences no interior da mala, e desmantelamento
Passo nº1: limpeza do interior, com vários pertences no interior da mala, e desmantelamento
Passo nº2: Ida para a "sala de operações"
Primeiras impressões
Depois de chegado ao novo lar, eis que finalmente tenho a possibilidade de vislumbrar aquele que viria a ser fonte de muito suor, investimento...e alegria! Todo o bicavalista e amante de clássicos, de modo geral, sabe que um clássico, por melhor aspecto que tenha, pede sempre por "mimos" em algumas partes. E o 2cv não é excepção... Assim que chego ao local sou brindado com estas imagens:
As partes menos boas... nada que já não estivesse à espera. Quem corre por gosto não cansa!
Mas existem outras partes bastante boas. A mecânica revelou-se (e assim continua) uma excelente surpresa com um motor a 100%, a pegar à primeira e super suave, sem vibrações ou ruido excessivo, comprovando, mais uma vez, a robustez e longevidade dos blocos bicilindricos Citroën!
Depois deste dia o próximo passo era só um: começar o restauro, de forma a devolver o brilho e glória de outrora! Mas uma estadia fora por razões profissionais e falta de espaço impuseram que tal gratificante obra só começasse 5 meses depois, em Dezembro desse mesmo ano.
As partes menos boas... nada que já não estivesse à espera. Quem corre por gosto não cansa!
Mas existem outras partes bastante boas. A mecânica revelou-se (e assim continua) uma excelente surpresa com um motor a 100%, a pegar à primeira e super suave, sem vibrações ou ruido excessivo, comprovando, mais uma vez, a robustez e longevidade dos blocos bicilindricos Citroën!
Depois deste dia o próximo passo era só um: começar o restauro, de forma a devolver o brilho e glória de outrora! Mas uma estadia fora por razões profissionais e falta de espaço impuseram que tal gratificante obra só começasse 5 meses depois, em Dezembro desse mesmo ano.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Julho de 2008 - A chegada
Por esta altura, tinha me iniciado na (dura mas inevitável...) vida do trabalho. Mais concretamente, como estagiário de gestor oficinal. Durante as minhas viagens diárias entre Lisboa e Rio Maior, ponderava a compra de um 2cv. De vez em quando andava com o do meu pai mas queria algo meu... Coincidência ou não, pareceu que certo dia o meu pai me tinha lido os pensamentos e liga-me a dizer que um amigo dele tinha acabado de receber um 2cv azul de 84 à troca e com apenas 75 mil kms e se estava interessado. Pelo ano, sabia à partida qual era a cor e, sem o ver, a resposta foi imediata: Sim!
Como se não bastasse, não pude ir buscar o carro no dia combinado, tendo ido o meu pai e o meu irmão. A ansia de ver o "menino" não cabia dentro de mim...
Como se não bastasse, não pude ir buscar o carro no dia combinado, tendo ido o meu pai e o meu irmão. A ansia de ver o "menino" não cabia dentro de mim...
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Prelúdio
Todos nós, na condição de seres humanos, vivemos paixões das mais diversas formas. Paixões essas que nos fazem sonhar e que, quando realizadas, permitem saborear com gosto imenso o fruto da nossa ambição!
No meu caso, o gosto pelos automóveis, em especial a Citroën e em particular os 2cv e derivados, tem raízes familiares e quiçá (?) genéticas. A convivência entre veículos com os "chevrons" (símbolo ostentado pela Citroën) e perto de 20 anos de viagens pela Europa a bordo de um 2cv, marcaram o gosto "a ferro e fogo".
No meu caso, o gosto pelos automóveis, em especial a Citroën e em particular os 2cv e derivados, tem raízes familiares e quiçá (?) genéticas. A convivência entre veículos com os "chevrons" (símbolo ostentado pela Citroën) e perto de 20 anos de viagens pela Europa a bordo de um 2cv, marcaram o gosto "a ferro e fogo".
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